sábado, 21 de outubro de 2017

Buraco esquisito

Sei que, sem meter nada geológico, onde se formaram os estalactites e os estalagmites foi lavada com as águas ventas dos magmas dos vulcões. Magnífica, confesso!

Sei que teimaste em consolidar um certo magma..., afinal o buraco é esquisito.

P.S: esta (não) é uma boca em particular, se bem que o dr Borche me entende.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Kobamko 750Lx - O Pica das ruas

Introdução

Lisboa é um sítio interessante para se viver em Portugal. Não caio na tentação da narrativa portuguesa de "o melhor"-de-qualquer-coisa, até porque só conheço Porto e Lisboa, apesar de ter passado por algumas cidades do norte e sul de Portugal e só vivo cá há 15 anos. Ao contrário, muito bons portugueses que nem sequer foram a algum país africano, ou só porque passaram umas férias bacanas nos hotéis e resorts em Angola ou Moçambique, acham que estão em condições moral, intelectual e cultural para me falar, quase sempre mal, de "ei-iÁfrica". Caramba, pá!

Voltando à questão lisboeta, eu desde já há uns bons tempos que ando a observar a questão e o fenómeno emigrante/imigrante. Não no sentido académico, ou melhor, não da forma como normalmente esses temas são abordados e tratados nos estudos académicos. Eu prefiro ver, observar o perfil social, moral, comportamental de um emigrante/imigrante na sociedade. E é interessante, até porque sou um imigrante.

E quando falo desses imigrantes, estou a falar do grosso imigrante, da classe imigrantes pouco instruída e que normalmente desempenha funções pouco qualificadas nas sociedades onde estão emigradas e se comportam quase sempre como reis arrogantes nos seus países de origem, iludindo de certa forma a população de origem deles através de alguma ostentação. Se é do conhecimento de todos que antigamente muitos emprestavam ouros e dinheiro a amigos e familiares para ir de férias e apresentar-se como emigrante bem sucedido, hoje em dia parte dessa ostentação é feita a partir das redes sociais e videoclipes musicais. Afinal, djan bira fino.

Eu tenho acompanhado de perto os emigrantes/imigrantes da CPLP, com um especial interesse para os dos PALOP de que faço parte e com o foco na comunidade cabo-verdiana que pertenço.

Nesta perspectiva, vou começar a rubrica Kobamko 750Lx, uma espécie de "africanização" das iniciais dos centros comerciais Colombo e Babilónia, do Metro de Lisboa e Comboios CP da linha Sintra. O número 750 refere-se ao autocarro 750 da Carris e o Lx, é óbvio, é a abreviação de Lisboa. São lugares com mais imigrantes em Lisboa, sem margem para dúvidas. 

Kobamko 750Lx pretende ser umas "brónicas" (bocas e crónicas) hipérbole, internetês, caricatural, humorística e (quase) desmioladas típico das linguagens vida ku saúde, 'deus' no comando, TOP e nhas dimeus por direito. Não vão ser muito diferentes - que exagero! - das "letras" do Zé Espanhol e outras "letras" do funaná do Buraka mas conscientemente e vou esforçar para não ser iguais às "floribellices" de um Anselmo Ralph, um Zé Pedro 4  C4Pedro ou os Calema.

P.S. Para que as brónicas tenham um título mais "aceitável", passarão a designar-se O Pica das ruas. O Pica é um revisor dos meios de transporte e eu, ao contrário, farei observações e não passarei multas ao comportamento de ninguém.

Até à próxima paragem!

domingo, 15 de outubro de 2017

Ulisses, uma fraude?


Já não me recordo bem o porquê mas não acompanhei de perto as últimas eleições legislativas em Cabo Verde. O certo é que, um pouco antes, estive lá e vi o trabalho, que considero bastante satisfatório, do Ulisses enquanto autarca da capital do país. Por outro lado, das conversas e observações que fiz, concluí que no ar pairava um certo desejo de mudança no seio da população cabo-verdiana. De certa forma, é preciso frisar, o povo das ilhas já estava cansado da governação do PAICV, durante os quinze anos e, confesso, também achei que já estava na hora de novas políticas e ideias para o arquipélago.

Aconteceu que se confirmaram as minhas observações e o Ulisses foi eleito primeiro ministro com a  maioria absoluta. Ao se apresentar como "ser e fazer diferente", diz-se ser alguém capaz de faze feliz a população cabo-verdiana - música para os ouvidos das pessoas cansadas da criminalidade, desemprego e crise económica. Com promessas de regionalização - os mindelenses pirararam com a ideia! -, o imediato resolução dos problemas dos TACV, do emprego, do crescimento e o Chã das Caldeiras, Ulisses parecia ter aquela bara condon di fitisera de Achada Baleia para resolver os problemas. Já dizia o meu amigo, há um oceano que separa calcetar uma praceta e governar uma nação.

De todas as promessas feitas, Ulisses não conseguiu resolver um único problema e, muito pelo contrário, revelou ser um excelente político suicida: agrava esses problemas e implica o governo directamente nesses processos, com uma grande onda de opinião pública negativa.

Foram com a TACV, o caso Monte Tchota, o Chã das Caldeiras, supressão unilateral do visto a cidadãos oriundos da UE, TCV/Inforpress e o troculento ministro, Abraão Vicente, da cultura e indústria criativa, o caso de apoia a Israel na ONU, os famosos manuais escolares e por aí fora. O quê que mais falta acontecer para o Ulisses dizer "epah, demito-me porque não sou talhado para isto"?

Numa das conversas, um dia, esse mesmo amigo meu disse-me que o Ulisses é uma autêntica fraude. Achei um pouco insultuoso e exagerado mas a verdade é que o tempo não está a fazer-lhe desmentir ao meu amigo, paradoxalmente está a reforçar a posição dele.

Se se mantiver esse caminho, tenho sérias dúvidas que o Ulisses e o MpD terão um segundo mandato em Cabo Verde.

Veremos!